Graduação não é só diploma

Estudar também faz parte Esse artigo foi originalmente escrito para o jornal FolhaSC.

Se eu fizer o exercício proposto por Steve Jobs, de “ligar os pontos”, sou capaz de dizer que as melhores experiências profissionais da minha vida estão de alguma forma relacionadas com o ambiente acadêmico.

Graças ao curso técnico, tive a oportunidade de trabalhar com Web desde o início da minha carreira. Já na graduação, pude conviver com pessoas muito mais inteligentes e interessantes que eu. Pessoas com um conhecimento e feeling sobre o mercado de Tecnologia da Informação, que fizeram toda a diferença na minha vida.

Também tive o prazer de trabalhar em duas empresas incubadas pelo Centro Universitário de Jaraguá do Sul (UNERJ). Nelas, tive a liberdade e oportunidade de explorar conceitos técnicos e de gestão, que não poderia exercer em hipótese alguma em outras empresas de porte maior.

São essas experiências, aliadas a um conjunto de valores, que me permitem escrever para você hoje como Analista e Desenvolvedor Web da Globo.com. Uma empresa que acredita muito mais no que você pode mostrar, e não no que instituições de ensino têm a dizer a seu respeito.

E vejo esta tendência, de profissionais e instituições contestarem o valor da graduação, ganhar cada vez mais força. É fato que o diploma não garante que você será um bom profissional, somente a prática e experiência poderão certificar isso. Se olharmos para a história, veremos que pessoas como o próprio Steve Jobs, Bill Gates, Fábio Akita e Marco Gomes, nem sequer terminaram a graduação, e são hoje mais do que certificados, são empreendedores de sucesso e referências em suas áreas de atuação.

O ambiente acadêmico é sim muito rico e relevante, e como profissional formado estou certo que ele foi um dos responsáveis por me fazer chegar até aqui. Foi através da graduação que aprendi valores como “determinação” e “autodidatismo”, e aprendi a valorizar o networking e a troca de conhecimento. É certo que não desenvolveria estas qualidades fora deste ambiente, e num exercício de analisar o passado, sou capaz de concluir que as experiências (ou a trajetória) foram muito mais significativas do que o ato de receber o diploma em si.

Acredito que o problema de hoje é que o “canudo”, aquele “pedaço de papel” que garante que você está apto para o mercado de trabalho, virou nosso principal objetivo quando ingressamos em uma graduação. Deixamos que todo o caminho a ser trilhado e conhecimento a ser adquirido, seja encarado como um sacrifício, e não como uma oportunidade de crescimento.

Culpa das instituições de ensino, ou dos alunos? Não tenho a resposta para este questionamento. Mas, no fim das contas, a mensagem que quero passar para você é a seguinte: Aproveite ao máximo o ambiente acadêmico. Dificilmente em outras épocas da sua vida você terá tanto tempo e disposição para adquirir conhecimento. “Esprema” o máximo que puder dos seus professores e colegas, participe de projetos científicos, de atividades extracurriculares, empenhe-se em trabalhos e provas. Afinal, como diria o Scorpions, “no pain, no gain”.

E acima de tudo, faça o que você ama, e use a graduação para descobrir se é isto mesmo que você quer fazer na sua vida.